sábado, 22 de abril de 2017

Amar sozinho

"Todas as vezes que amei, amei sozinho..."

          Amei de forma desenfreada, entregue e profunda. Amei em demasia, pois apenas assim sei amar. Se eu pudesse me alimentar apenas do amor que existe dentro de mim, estaria consideravelmente acima do peso. Pois o amor nasce em mim. Brota como semente, e lá pela tardinha já se tornou planta. Em algumas semanas é árvore frondosa, de folhas verdes e saudáveis. As raízes se espalhando profundamente, agarrando tudo aquilo o que tocam, fincando-se cada vez mais fundo no solo fértil dentro de mim. Meu amor dá belas flores, de diferentes cores, cheiros e sabores.
          No entanto, sem ninguém para colher os frutos, eles caem. Se espatifam no mesmo solo que os gera, apodrecem no mesmo lugar que os nutre, e se tornam combustível para repetir o ciclo. Pois nem todos querem amor. Nem todos sabem receber o amor. Alguns, piores, o recebem sem nada dar em troca, aproveitando-se dos frutos suculentos, até não mais precisar dele. Palavras duras e de acusação, sim, mas verdadeiras, e necessárias de ser ditas em voz alta. Pois nem toda amizade ou relação é saudável, e quase nenhum amor é correspondido. 
          Não que seja fácil viver na solidão profunda que é se abster de germinar amor. Não. O que resta desses amores não correspondidos é um grande cemitério de árvores sem folhas, vivendo à míngua do que um dia já foram. O tempo passa e as experiências ruins te impedem de voltar a plantar amor. A terra seca e murcha sem as plantações, e logo a vida se torna cinza. Todos os dias, enquanto se levanta, a pessoa que não cultiva o amor deseja que não tivesse se levantado. Pois, viver sem amor, não é viver. 
          Viver sem amor é sobreviver de migalhas, sorrir às metades, aproveitar sem gostar. É seguir o fluxo, caminhar sem direção, mergulhar sem planos de voltar à superfície. É nunca trocar aquela lâmpada queimada, porque já se está acostumado à escuridão. O coração que não germina amor, germina tristeza. E a tristeza é a erva daninha de qualquer plantação. Pois ela se alastra mais rápido e com mais facilidade, devido à facilidade em conseguir combustível. Medo, ansiedade, decepções, e quando se vê a tristeza virou floresta e eclipsa a luz que deveria alcançar o solo. 
          É aí que os monstros começam a procriar e aumentar de número e tamanho. É quando chegam os pensamentos insanamente altos e acusadores, que te gritam dia e noite coisas que ninguém deveria ouvir. É quando o vento frio da culpa se arrasta lascivamente pelo solo, congelando tudo aquilo que poderia ser bom. O único remédio para essa praga é uma dose concentrada de amor verdadeiro. Doses diárias de afeto, recheadas de abraços e beijos. Sempre que possível, ouvir palavras bonitas, ou fazer algo que se gosta. 
          Se a infecção da tristeza não for tratada logo, torna-se praticamente incurável. Ama, mesmo que ame sozinho. Pois quem hoje desperdiça amor, amanhã o há de implorar. E o amor é a única cura para uma alma doente. Escolha a cura, não o veneno...
- Frio

domingo, 16 de abril de 2017

Até onde vai a sua empatia?

imagem: pinterest


De pequenas estorinhas é que se constrói a história da vida de alguém. Mas e as estórias de uma escritora são construídas de quê? Quando pequena, digo, criança - porque pequena seguirei sendo durante toda a minha existência - me parecia uma coisa simples: escritor inventa um monte de coisas para dizer alguma coisa para a gente, né? É. Aliás, é também, mas não só. Agora, mesmo sem ter certeza de muita coisa, percebo que escritor escreve mais é para si mesmo e é esse o ponto da confusão: no fim das contas, os seres humanos são todos atulhados de um monte de maluquices, diferentes mas, no fundo, iguais. Ou seja, se alguém vai lá e escreve umas linhas tortas, para desentulhar a cabeça, as chances são muitas de os outros seres atulhadinhos se identificarem. Percebe? Essa é a magia e a desgraça da coisa.

A desgraça é que há um perigo em escrever: a gente diz uma coisa X e meio mundo de gente vai entender Y e Z. É bonito? É. Mas o problema é se perder no meio do caminho e acabar achando que o outro disse o que eu entendi. O que a gente entende do que foi dito não é, necessariamente, o que foi dito. E que disse me disse é esse? Vou exemplificar com Clarice, que é minha companheira de cabeceira desde  a adolescência. 

Eu, lendo Clarice, via as palavras inventadas e bem organizadas dela com reverência e acreditando que tudo ali tinha sido escrito para mim. O negócio é que Clarice fala um tanto do Divino e eu, feita e criada no berço Cristão, só conhecia Deus Pai-Filho-Espírito-Santo. Encasquetei que Clarice falava era de Jesus, em um determinado ponto até chorar chorei. Me achava toda toda no direito de citar a Clarice dizendo isso e aquilo de Deus (do meu Deus, no caso). Acontece que dia desses, lá pelas tantas da noite, eu que já estou lá pelas tantas da vida, fui citando sei lá o quê e me jogaram no chão: mas Clarice não era Judia? Argumentei para lá e para cá com uma conversa de universal e logo tiraram meu cavalinho da chuva, me jogaram logo a melhor pergunta: onde foi que ela disse isso? Engoli em seco: e eu lá sabia? De onde é que tinha vindo essa confusão, em nome de tudo que é mais sagrado? Não demorou muito, contra vontade, percebi que eu estava fazendo confusão por estar compreendendo Clarice a partir das minhas referências, dos meus sentimentos, de mim; e não a partir do que, realmente, ela havia dito.  

Depois, como a gente faz e recebe de volta, virei Clarice. Escrevi umas linhas sobre coisa minha e logo vi o rebuliço se instalar: tirei um peso do meu coração e parece que saiu atingindo meio mundo de gente que nem bomba nuclear. Já saiu achismo e teoria de tudo quanto é lado para texto meu, desses bobos mesmo. Acho é coisa bonita esse negócio de envolvimento com a literatura, mas se for para ferir gente quero logo deixar claro que quando a confusão acontece é porque tem confusão dentro da gente, nem sempre é o que o outro disse. O perrengue é que a gente acha que "achar" é argumento. Aconteceu comigo, aconteceu com Clarice, aconteceu com você e vai continuar acontecendo porque, na verdade,  " eu acho" não é argumento nenhum. A gente pode achar um monte de coisas: achar coisa perdida, achar bonito, achar feio, achar esquisito, achar que feminismo é desnecessário, achar que racismo não existe, achar que o menino pobre é culpado da vida que leva, achar que é a raiz quadrada de 9 é 2.  A gente pode até ir além do achar, pode adotar uma ideia como verdade mas isso não a torna verdade. O problema não é adotar uma premissa, um achismo, uma opinião como verdade; o problema é não assumir a responsabilidade disso.

Essa não foi a primeira e nem vai ser a última vez - nem comigo e nem com Clarice, se é que posso nos colocar na mesma frase. Mas vou insistir aqui em fazer esse manifesto literário e de convivência: de agora em diante, que tal responsabilizar as pessoas só pelo que elas de fato disseram ao invés de responsabilizá-las pela forma como isso chega em nós? A gente sabe que tem lá nossas implicâncias e razões, algumas vezes até inconscientes, para distorcer os discursos dos outros. Sorte que para essa confusão tem remédio, basta lembrar que empatia é se colocar no lugar do outro desde que isso não implique em falar por ele/ela. Empatia também é defender o espaço de fala do outro, sem colocar minha voz lá. 

Com amor, 
Ane Karoline

sábado, 15 de abril de 2017

Sou uma bagunça


"Porque são exatamente as rachaduras que me fazem quem eu sou..."

Deixei pra trás tudo o que eu tinha e fui
Fui para te acompanhar
Fui para não te deixar só
Fui porque o único lugar em que sou feliz é ao seu lado

Mas você nem viu, nem sentiu
Nem percebeu os sacrifícios que fiz para ir com você
No segundo em que algo brilhou, seu interesse por mim acabou
E então você partiu

Foi com a promessa de que não tinha ido
De que apesar da distância, não havia partido
Que as coisas sempre seriam como antes
Mas o tempo passou em questão de instantes

O que me sobrou senão as noites insones para me acalentar
Me afogando em lágrimas salinas de peso exorbitante
Carregando os cacos de mim por desertos estonteantes
Sem saber se um dia conseguiria me recuperar

Meus amigos eram as palavras
De poetas e anônimos
Marias e Antônios
Com uma dor profunda e as almas escalavradas

E a fria e cinzenta manhã de Janeiro
Outrora alegre, de sol e de luz
De ouro que brilha e seduz
Me parece devorar por inteiro

Sentimento torpe e cruel
Que esmaga e deturpa
Machuca e afunda na culpa
Que é veneno disfarçado de mel

E apenas quando os pedaços
Que estavam mais para cacos
Começavam a se juntar
Você resolve regressar

É o mesmo sorriso
O cheiro é igual
O toque irreal
Mas eu só posso oferecer prejuízo

A única coisa que não é a mesma, sou eu
Um dia humano, hoje miragem
Que resta se perdi até mesmo a linguagem
É dizer que apesar da dor, ainda sou teu

Teu veneno tem gosto de mel, e eu me afogo sorrindo todas as vezes que você volta...

-Melancolia

terça-feira, 28 de março de 2017

É hora de se arrumar

imagem: pinterest


Ontem era meio de semana, meio de mais uma semana que fica no meio de um mês que fica dentro de um ano desses que são computados na vida da gente. Mas, sim, ontem era meio de semana e aparentava sábado, uma dessas aparências que cegam: a gente tem que ficar se lembrando que uma coisa não é outra coisa, que é para não ser enganado. O fato é que ontem aparentava sábado porque, em primeiro lugar, fui ter com Luiza uma daquelas tardes tranquilas que quem tem o privilégio de ter amigos pode ter; em segundo lugar, me pareceu mais sábado porque era dia de faxina na casa de Luiza e, nem sei desde quando, tenho em meu imaginário que sábado é dia de faxina, me acostumei com essa ideia. A gente se acostuma com cada besteira.

Logo que avistei Luiza vi que vinha toda diferente me receber: o cabelo estava solto, como quem, finalmente, tivesse entendido a beleza que existe nos cachos. Além disso, pasmei ao vê-la usando o vestido que vestira em seu noivado - há oito anos atrás. Estranhei porque aquele vestido lhe era caríssimo por ser uma lembrança importante do noivado com o outro lá e, agora, ela o estava vestindo para limpar a casa? A gente se arruma como pode, daí já vi que Luiza estava era se arrumando.

Eu tinha ranço do tal vestido, mas ontem gostei dele: parecia que deixava Luiza florida. No meio da arrumação, ela era toda sorrisos e nostalgia. Eu a ajudando a separar as coisas que queria guardar e as que jogaria fora ou doaria e, ao mesmo tempo, me divertindo com as lembranças que cada objeto trazia, cada caso que ela me contava ou os que eu mesma me lembrava, de longa data que era nossa amizade. O tempo todo os estranhamentos daquela situação me consumiam, não pelo desapego -que é coisa boa - mas por ser Luiza a desapegada. Contando aqui, para você que não conhece a Luiza, não parece importante, né? Mas é. Veja bem, Luiza é o tipo de gente que guarda o ingresso todas as vezes que vai ao cinema, e cola numa agendinha. Ela guarda papeis de bala que ganhou de pessoas especiais, guarda todas as fotos, cartas e bilhetes, guarda um monte de coisas que ninguém liga, se importa com tudo. Tudo amontoado, café cheirando e a gente conversando conversas desimportantes, que a gente só conversa com gente que é importante para a gente. Tanta coisa que, no meio de tudo, Luiza acabou foi derramando um pouco de café no tal vestido de noivado, uma florzinha que era rosa ficou toda amarronzada - o vestido veranil de Luiza, virou outono. Me alarmei por lembrar de toda a frescura dela com aquele vestido, mas ela fez que nem ligou: faz mal não, esse vestido não se estende em meu armário mais não, chegou ao fim.  Um vestido novo daqueles, pensei. Fiquei remoendo esse negócio mesquinha de vestido até que larguei esse pensamento e, por querer concluir alguma coisa, concluí que Luiza havia mudado. A gente muda, oras. Toda a gente muda; muda até de casa, não vai mudar de gosto? 

Tudo empacotado para doar ou jogar fora, eu já achando que Luiza tinha virado uma alma superior que se desapega de bens materiais, até que ela me aparece com um palito de pirulito todo imundo e todo amassado. Veio, com os olhos marejados, dizendo que era criancinha e morava na terrinha e o avô havia comprado o pirulito, que ela tanto queria, com umas moedas da passagem - ele havia voltado para casa andando aquele dia. Não questionei nada mas, certamente, meu rosto gritava a confusão que se plantava em minha mente ao vê-la guardar quinquilharias e jogar outras coisas fora. Ela logo viu, sorriu e me disse: não fique besta não, tudo depende do valor que a gente dá. Se uma coisa já nos perdeu o valor, para que ficar insistindo em encaixá-la em nossa vida?

Concordei e entendi: é por isso que a gente se sente tão deslocado em algumas relações, a gente perde o valor para as pessoas mas elas ficam nos segurando ali, sem cuidar. A diferença aqui, entre gente e o vestido de Luiza, é que os objetos não podem escolher entre ir e ficar, não podem decidir a hora de partir. A gente pode. 

Ane Karoline

sexta-feira, 24 de março de 2017

A importância da leitura na infância: Diário de Estela

Muita gente me pergunta, se pergunta, pergunta ao universo e aos professores: como é, afinal, que se adquire o hábito de leitura? Sinceramente, eu não sei. O que sei é que não existe idade certa nem jeito certo. Além disso, sei como e quando eu adquiri o meu hábito de ler: na infância, com um livro que uma professora me indicou - um livro que não estava relacionado com a escola. Hoje, vejo a importância que isso teve em minha vida e vejo, também, a importância que tem na vida das várias crianças que conheço: tanto as que têm o hábito de ler, quanto as que não têm. Vejo que Muito se fala sobre a importância de ler, mas pouco se fala sobre como deve acontecer o incentivo à leitura.    


Por tudo isso, fiquei muito feliz quando recebi o livro Diário de Estela, lançado pela editora Jangada: é um romance infantil! Um livro repleto de aventuras narradas de uma maneira engraçada e harmoniosa pela personagem principal, Estela.

Estela é uma aprendiz do ofício de Anjo do Amor. Com seu jeito inocente e atrapalhado, ela precisa cumprir uma missão entre dois humanos, na Terra, para conseguir, finalmente, tornar-se um Anjo do Amor e receber suas asas. Com toda sua impulsividade e ingenuidade, nossa protagonista passa por muitos problemas mas, mesmo assim, está sempre disposta a continuar. Pela ansiedade em conquistar as asas e ser um Anjo de verdade, por várias vezes, Estela se precipita e só quando, finalmente, entende que deve seguir seu coração e colocar sua responsabilidade com o amor acima de seus interesses pessoais, ela consegue a nomeação de Anjo. 

Juntamente com uma narrativa muito cativante e narrada com linguagem acessível para as crianças, o livro é repleto de lindas ilustrações que criam o imaginário a respeito das aventuras de Estela. Além disso, o fato de o livro ter sido escrito em forma de diário é uma construção interessante que pode incentivar as crianças a escrever, criando um próprio diário. 


Para não me estender e acabar contando o que acontece com Estela, estragando a surpresa, me contento em dizer que o livro é ótimo e apropriado para crianças e pré-adolescentes - mesmo para adultos, a história não deixa de ser cativante e surpreendente. As autoras Stern (desenhista e leitora profissional de literatura infantil e Juvenil) e Jem ( escritora e jornalista) foram muito cuidadosas com toda a produção do livro  e pretendem lançar mais aventuras da Anjinha Estela. A tradução é da Ivana Mihanovich, foi publicada no Brasil em 2014, e não em deixa em nada a desejar. Deixo aqui meu convite a todos: vamos nos aventurar com Estela?

Ane Karoline

domingo, 19 de março de 2017

Não me calaria e não me calarei

imagem: pinterest  (protesto em memoria aos desaparecidos na ditadura do Chile)


Eu, que fui mal alfabetizada não sei mais por negligência de quem, não me calarei. Bem sei que me queriam calada aqueles que têm todos os direitos, aqueles que, não importa o que façam, são direitos. Eles queriam a nós calados, eu e toda a gente como eu. Sei bem disso, assim como sei que ninguém parece querer ouvir falar - e, muito menos, se responsabilizar - pela falta de pavimentação em minha rua. Parece cansativa e esquecida a história do filho da minha vizinha que morreu por falta de leito no hospital - hospital construído como presente aqui, para essa minha população periférica composta de vidas que valem menos. 

Aqueles que detém o que a maioria não tem, não querem ouvir falar sobre as vidas que valem menos. E nem é por sentirem pesar o bolso cheio de quem tem conta escondida em tudo quanto é país gringo, é porque o saco está cheio de ouvir a tentativa de grito dessa gente marginal que somos. Afinal, gente de verdade indo às ruas e se opondo às atrocidades atrapalha o jantar de gala e ameaça o monopólio do lugar de fala. Quem são esses que, agora, acham que podem falar? Não deveriam estar ocupados acordando às 4h da manhã, cansados demais para opinar? Imagina que loucura se a mão de obra começa a questionar, quem é que vai ser explorado?

Eu enxergo. Sinto a agonia de quem me queria quieta, de quem me queria concordando com atrocidades e servindo, unicamente, de cuidadora do lar (o que também não é tarefa fácil). E eu devo admitir que  queria dizer que não vejo os olhares tortos e que não sei o que confabulam. Queria dizer que não ouço os cochichos críticos sobre o meu atrevimento, inclusive, daqueles que nasceram da mesma terra áspera e abandonada que eu - mas que almejam ser frutos da  árvore podre de onde vêm essa gente que rouba de nós para ter campo de golfe no quintal. Queria fingir que não sei que eu seria orgulho nacional se ficasse quieta, se me abstivesse de pensar, se não soubesse discutir, argumentar, ler e nem calcular - assim eu não saberia quantos direitos me são roubados por dia. Queria não viver todos os momentos em que minha inteligência é questionada - por ser mulher e por ser pobre. Queria ser indiferente à minha parcela de culpa na corrupção e na vida das crianças fumando crack na rodoviária. De atriz, que já tentei ser, queria ser  parte desse teatro de horrores na vida real: ser capaz de dissimular e fingir que não é para o professor que ensinou meu filho a ler que estou negando o direito de descansar. Ser covarde é tão mais fácil.

Mas não. E, mesmo sendo dessa gente que nem sempre tem o privilégio de poder escolher sempre o que comer, meu estômago teve a audácia de nascer fraco para o que não presta: sou indigesta com hipocrisia, não me desce. Sei de tudo isso e muito mais, sei que me queriam muito menor que sou. O estorvo é que eu me quero muito maior que sou, na intenção de levar meu povo comigo: para cima. Nessa doidera de tentar atravessar o lago JK a nado, me afoguei uma porção de vezes, mas continuo respirando. Ainda que hoje me afogasse, tanto eu já teria dito, que não me calaria, e não me calarei.  As palavras são sempre o meu bote salva-vidas: são minhas armas. Admito, as palavras são armas pequenas, mas não deixam de ser armas e com elas estou em punho: pronta para lutar. 

Ane Karoline

sábado, 18 de março de 2017

A droga da paixão

"Aos poucos me destruo, tentando consertar nosso amor..."

É puro êxtase e ao mesmo tempo o pior efeito da metanfetamina 
É a mais bela paisagem, outrora a mais horrível das catástrofes
É essa a droga do amor
Que te faz rolar na cama ,ter insônia ,incerteza , paranoia .
 Eu não sei como é possível as pessoas dizerem que é um sentimento bonito
Se pelo mesmo pessoas se matam ,
Sofrem alcoolizadas a cada sexta feira ,
Implorando em pensamento pra que alguém puxe a cadeira ao seu lado
Pra dizer que tudo vai ficar bem ,
Que ele(a) vai voltar ,
Essa meus amigos , 
É a droga do amor ,
A destruição ou a salvação dessa geração

- Mathews Ferreira


A contribuição de hoje é do espírito jovem e intenso do meu grande amigo Mathews Ferreira . Ele que tem vários talentos, decidiu nos presentear com um pouquinho das suas palavras, e está sempre com a mente cheia. Esperamos novas contribuições em breve. Muito Obrigado, Mathews!



Ps: Se você tem vontade de enviar sua contribuição, entre em contato conosco!