domingo, 27 de setembro de 2015

Julieta diz: seja uma tempestade fora do copo.

imagem por: Ane Karoline


Tempestiva. Foi a palavra que ele usou para descrevê-la - assim como tantos outros e outras o fizeram antes. "Você faz uma tempestade em copo d'água". E fazia mesmo. Tachavam-na exagerada, desmoderada, sempre cheia de manias hiperbólicas, sentimentos abundantes, sempre exagerada: tempestade em copo d'água. Vou ter que discordar. O que vejo daqui, é que o verdadeiro exagero é querer ver alguém partindo do que se é, crucificar e maldizer a profundidade de alguém para justificar a própria falta de coragem e insistência em ser raso. Isso sim é um grande exagero, exagero de egoísmo.
Digo isso pois a vi tentar ser garoa, tentar conter sua tempestade para que coubesse em copo d'água. Que padecimento! Ela, por vezes, pensava "não vou dizer nada, vou esperar que ele diga.", "melhor esperar.", "não vou ligar", "não vou dizer", "vou falar menos"... Sufocou-se com tantas emoções e apenas permitiu-se dizer, vez ou outra, "eu te amo". Quando o fazia, quando liberava toda a tempestade naquelas três palavrinhas, recebia, em troca, o silêncio. Viu-se, então, metida em um jogo de gente rasa sem saber as regras. E, então, perdida no labirinto da própria tempestividade, tentando fugir de si mesma, tentando colocar sua tempestade em um copo.
Quer saber? Preste atenção: não vale a pena. Não vale o peso, a carga, a sentença, o castigo e o sofrimento, não vale. É isso mesmo, não jogue com ele. Entregue os pontos e saia do jogo. Deixe-o jogar sozinho, brincar com a própria sorte e com os próprios sentimentos. O amor não é um jogo e, definitivamente, onde há joguinhos não há amor. Esqueça toda essa história de que deve ser difícil e complicado. Esqueça esse papo de quem fala primeiro, quem ignora mais e quem demora mais a aparecer: jogue tudo isso no lixo. Se tiver de ignorar, ignore a ideia de ocultar o apreço. Se tiver que demorar, demore-se nesse amor que não tem preço. Não inventa, não entra nessa de desaparecer: só perde quem não quiser caminhar com você. E, definitivamente, esquece essa ideia de que há algum mal em tempestade ser.
Chova, chova sem dó. E, tempestivamente, lave da sua vida os nós. E, depois da tempestade, quando quiser ser Sol brilhe. Brilhe sem cogitar, sem esperar, sem esmagar, sem tentar se ocultar. Não há mal nenhum em ser tempestade que cai, se joga de uma vez, sem meio termo, sem joguinhos, sem achismos e sem poréns. Não há mal nenhum em ser tempestade que chega sem hora marcada: era Sol há alguns minutos e agora já não é mais. Tempestade é isso mesmo: agora chove, daqui a pouco não chove não e daqui a pouco é arco-íris. Não há mal nenhum em ser tempestade. Há mal, sim, em querer colocar uma tempestade em um copo d'água. Dá próxima vez, recuse-se a estar com quem quer te colocar em um copo d'água. O céu é bem maior que isso, tempestade.

O texto foi escrito em resposta a um e-mail de um/uma de nossos/nossas leitores/leitoras que prefere não se identificar. Quer compartilhar algo? Conversar? Mande o seu também para: papocomjulieta@gmail.com

Forte abraço tempestivo e cheio de amor <3





terça-feira, 22 de setembro de 2015

Amo, Amei, Amarei...


     Sabe, uma coisa que eu detesto é quem diz: "Se te faz sofrer, não é amor de verdade". Primeiro por que parte do princípio de que todo amor é igual, ou de que o amor se comporta da mesma forma sempre. Ou ainda que o amor seja algo limitado ou limitador, sem notar que ele toma muitas formas. Além do fato de ninguém ser PhD em matéria de amor, e o de ele não ser uma ciência, logo, ser impreciso.
     Amar é sofrer. Sim, é verdade. Amor é atrito, choque e reviravolta. São dois universos diferentes tentando encontrar uma forma de entrar em sincronia. Amor é sacrifício, é paciência, é calma. É ficar com o coração na mão por que não recebeu um bom dia. É tremer por dentro cada vez que o celular vibra, esperando ser o ser amado a te procurar. Amor é estar feliz com a roupa nova, e arrasado dez minutos depois por que só conseguiu cinco curtidas naquela foto.
    Amor é pensar no outro antes de si mesmo, e se prestar a passar por situações que não são tão convenientes a nós, mas que suportamos pelo bem de quem amamos. Amar é fazer um amigo, e com o passar do tempo amá-lo mais que o próprio irmão de sangue, promovendo-o ao status de irmão de alma. Amar é esbarrar com alguém tão parecido conosco, que até parece que é uma personificação de nós mesmos, e exatamente por isso, oferecer a essa pessoa, exatamente o que você precisa, pois sabe que ela precisa daquilo também. Amar é ter a chance de descansar, e ainda assim escolher sair de casa, apenas para passar um tempo com quem se ama.
      Amar é ficar chateado por que a mensagem foi visualizada, mas não respondida, e passar por cima disso assim que a pessoa sorri pra você. Amar é passar meses sem ver aquele amigo, e mergulhar no abraço dele, como se tivessem se visto ontem mesmo. Amar é gostar de alguém simplesmente por que seu amigo gosta daquela pessoa.
     Amar é gostar de quem faz bem a quem se ama. Amar é guardar aquele pedaço de bolo, que estava tão bom, que você tem que compartilhar com aquele amigo. É compreender que hoje não deu pra ela vir me visitar. Que ele cancelou de novo, por que surgiu um imprevisto. Que surgiu algo e eles não puderam aparecer. 
    Amar é passar por cima de tudo isso, e ser capaz de se manter amor, por que não temos amor, somos amor. Por que não existe botão de desligar, quando se trata de amar. Não existe algo que não se faz, por aqueles que importam. Amar é sofrer sim, por que um relacionamento, seja ele da espécie que for, sem sofrimento, é artificial, incompleto. Por que sofrer é natural, já que todos somos diferentes, pensamos e sentimos de forma diferente, e devido a isso, acabamos sofrendo por motivos, e de formas, diferentes. 
    Amar é sacrifício sim, quando engolimos uma desculpa, deixamos passar um deslize, ignoramos uma tristeza, por que aquilo é ínfimo, perante o amor real que se sente. Amor é paciência sim, quando mesmo com o coração em tempestade, se espera e confia, que quem se ama sempre volta. Amor é calma, por que quando estamos juntos, o mundo para. Então existe só eu e você, e nada mais importa. E cada segundo é tão seu quanto meu, e nós aproveitamos cada um, intensamente. 
    Amor é você ser o sol que nasce depois da tempestade, mesmo tendo sido você, o causador da tormenta. Amor é sentir dor por que você está longe, e prazer por que está perto. Amor é maior que quem diz "se te faz sofrer, não é amor de verdade". Pra estes eu digo, vá amar, antes de abrir a boca pra falar.
Adolfo Rodrigues

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Como ser feliz por 100 dias seguidos?

Imagem por: Ane Karoline


Entre as lágrimas e sorrisos, desejos e desistências, eu consegui. Consegui descobrir qual é, afinal, a da felicidade. Se eu consegui ser cem por cento, totalmente feliz por cem dias seguidos? Não. Não consegui ser cem por certo, totalmente feliz em nenhum dos cem dias. Na verdade, tem sempre uma coisinha aqui ou ali. Um cachorrinho morto aqui, uma saudade do avô ali. Uma amiga que some aqui, uma dor de cabeça ali. Entre os aquis e os alis, eu encontrei o agora e percebi que, também, não fui cem por cento, totalmente infeliz em nenhum dos cem dias. Nunca fui cem por cento, totalmente infeliz. Mesmo nos piores dias, nos dias em que a luz parece não existir, sempre existiu um pelo menos ou, pelo menos, sempre existiu a ideia de que amanhã, talvez, as coisas estariam melhores. Foi pela existência insistente do pelo menos que eu não desisti.
Peguei minha bagagem e fui atrás da felicidade. Logo, nos primeiros dias eu percebi que não precisava de bagagem nenhuma. Me vi encontrando a felicidade, justamente, nos momentos em que deixava de lado minha bagagem, quando abria mão de guardar, quando deixava ir. Nos primeiros dez dias me coloquei em uma busca frenética: tenho que encontrar a felicidade. Sim, consegui encontrar a felicidade. E não foi suficiente. Alguns dias depois aconteceu: a felicidade me encontrou. Nada se compara ao momento em que a felicidade, por livre e espontânea vontade, nos encontra.
Nada se compara à sensação de ser descoberto pela felicidade, exatamente isso: descoberto. Nada se compara à sensação de perceber que a felicidade nos tira debaixo do véu da escuridão: nos descobre. Nos encontra. A felicidade encontra a gente. Mas parece que tem um montão de desencontros no caminho, né? Inclusive, estamos aqui tendo essa conversa gostosa e você, por acaso, está lembrando da sua dívida no banco? E isso anula a felicidade de estar aqui, tendo essa conversa comigo? Torna esse momento menos especial? Pronto, acabei de te entregar o valor de x.
Lá pelas tantas percebi que o x da questão é esse: se tudo der errado, se estiver chegando no fundo do poço, eu volto, pelo menos, para buscar um sorvete de casquinha recheada para me acompanhar na queda. Você não está totalmente no fundo do poço se, pelo menos, tiver um sorvete de casquinha recheada. Ah, sim, eu sei. Em alguns dias nem o sorvete de casquinha recheada serve, né? Se você pensou nisso, se conseguiu contornar o argumento do sorvete de casquinha recheada, eu vou dizer, agora, a razão pela qual eu não desisti do desafio dos #100happydays e, também, por que, eu resolvi dizer isso a você. Veja bem: a felicidade, também, é escrita com lágrimas de tristeza. A felicidade é aceitar que viver dói sim, e que, algumas vezes, a gente tem que chorar, tem que quebrar uns pratos e uns copos, tem que dizer umas verdades a uns e outros, tem que encharcar o travesseiro, se afogar em lágrimas e depois emergir. A felicidade é aceitar que somos esse emaranhado de coisas que pode se despedaçar, vez ou outra, para se reconstruir. 
A regra, oficial, do desafio é que se poste uma foto por dia durante cem dias consecutivos mas eu não o fiz. Comecei o desafio dia 7 de janeiro deste ano e venho terminá-lo, hoje, dia 16 de setembro. Desisti e continuei por várias e várias vezes. Fiz aniversário. Cai aqui e ali, joguei o sorvete de casquinha recheada no lixo, ensopei o travesseiro algumas vezes e, em alguns dias, eu fui tão extremamente feliz que não lembrei de postar a foto (aí já é problema de memória, né, querida). Mas, no meio do caminho, eu vi tanta coisa, senti tanta coisa, conheci tanta gente, vi tanta gente começar o desafio que decidi terminá-lo e percebi outra maravilha: tive paciência comigo mesma, me deixei ser. A felicidade é ter paciência consigo mesmo.
Depois dos cem dias, das cem fotos, eu consegui. Consegui, como disse, saber qual é, afinal, a da felicidade: não dá para definir. A felicidade é tudo e é nada. A felicidade não cabe em uma única definição, mas existe e é palpável. Portanto, se eu tivesse que dizer algo sobre a felicidade, eu diria: a felicidade é.
Todas as fotos da minha participação no desafio estão no perfil do instagram do blog e para participar do desafio basta entrar neste site. Agradeço imensamente a todos que me fizeram e me fazem feliz, simplesmente, por existirem. Não é à toa que felicidade rima com cumplicidade. Rima com simplicidade, caridade, amorosidade, liberdade e criatividade. Na verdade, a felicidade rima com o que você tiver vontade. 

Participa/participou/quer participar ou tem algo para falar sobre o desafio/felicidade? Estarei sendo feliz ao ler os comentários ou, até mesmo, e-mails. Forte abraço.



terça-feira, 8 de setembro de 2015

Pode ficar com o troco


imagem por: Ane Karoline

   Hoje, enquanto lia Clarice Lispector discorrer, majestosamente, sobre o amor, me lembrei de você. Eu quis te mostrar o trecho do livro e pude prever a sua resposta "essa Clarice Lispector é muito complicada, como você. Eu só li aquele conto 'O ovo e a galinha', sabe?...".
  Com essa minha mente, cheia de referenciais, que insiste em lembrar de tudo, eu poderia ter lembrado de qualquer pessoa, de qualquer coisa, mas me lembrei de você e das nossas conversas sem rumo durante as tardes quentes de setembro. Me lembrei disso porque as linhas que são escritas em nossas vidas sob a tinta do amor jamais são apagadas. Como eu tenho certeza disso? - você deve estar se perguntando. Eu tenho certeza disso porque, por diversas vezes, você me mostrou que não merece o meu amor e ele continua existindo. A gente sabe que ama alguém depois que, em algum momento, esse alguém não foi merecedor: amar só quando a gente merece é fácil, é um amor pago. Mas, deixe-me contar-lhe um segredo: o amor genuíno é gratuito e independente. Tão independente que independe, até, da reciprocidade para existir. É simples demais para fazer exigências, para querer algo em troca. O amor é anterior ao querer.
   Querer exige motivo e amar é isso mesmo: ter alguém em alta cota sem que se saiba o motivo. Nem sempre, o amor é tão fácil como caminhar de mãos dadas no parque e é, aí, que ele se faz. A gente sabe que ama alguém quando esbarra nos limites: nos nossos e nos do outro. A gente sabe que ama alguém quando esbarra com aquela parte do outro que é demasiadamente o outro para que possa ser entendida e, ainda assim, o amamos.
   Sei que sou demasiada e agudamente eu quando cito Clarice Lispector que escreve em metáforas e não em números -como você prefere. Sei que sou extrema e visceralmente eu quando escolho escrever nossos números por extenso e você, mesmo sem entender, mesmo sem concordar me pergunta sobre o que eu estou escrevendo e se dispõe a me ler. Então, o amor se faz, o amor se faz nesse exato momento. O amor se faz no exato momento em que não conseguimos entender o outro, não entendemos suas razões, vontades e ações e, então, a gente aceita. O amor aceita.
   Espero que aceite, então, meu amor partilhado: cada palavra é escrita com tinta de amor acariciando quem escreve e quem lê. É por isso que, aqui, me delongo em dizer: o amor que escrevo é sem querer, sequer, que me mande notícias, que me diga que leu- o que escrevo não é mais meu. Não fico esperando que me diga que fica -se for ficar, fica. Não escrevo esperando que me diga que sim ou que não: é sem pretensão. O amor não pretende: desprende. E isso é uma verdadeira dádiva quando a gente aprende.

  

sábado, 5 de setembro de 2015

Des(ama)do


"De todas as coisas que já perdi, a mais difícil foi o hábito de pensar em você."

     Como definir o amar? Eu tenho me feito muito essa pergunta, nos últimos tempos. Quem me conhece sabe, sou um poço de amor, sem fundo. Sou sempre a pessoa sorridente, que te cumprimenta com um sorriso, que diz obrigado e por favor. Gentileza sempre foi a minha praia. Desde que nasci, me sinto um tanto quanto "invisível"
      Sempre tive hábitos, formas de agir. Meu ser sempre foi composto por pequenos fragmentos de mudanças da minha vida. Quando mais jovem, eu era impulsivo, aventureiro, e levava uma vida mais tranquila. Isso não muda o fato de que sempre pensei demais. Uma mente cheia, oculta por uma voz linear, que transmite a ideia de tranquilidade.
      Difícil enxergar as guerras que estão sendo travadas dentro de mim. Afinal, meu interior é um campo de batalhas, sem fim. Há alguns dias atrás, enquanto encarava o teto chapiscado do meu quarto, peguei-me pensando em coisas relevantes.
      Ao avaliar bem meus pensamentos, percebi uma coisa, que fez algo mudar dentro de mim. Descobri que meu amor é de graça. Isso mesmo. Eu guardo tanto amor dentro de mim, que posso distribuí-lo gratuitamente, mesmo para quem não o queira, ou não o aceite. Esse amor se manifesta de diversas formas.
      É o amor de quando eu mando uma mensagem de "Bom dia", sabendo que a resposta vai chegar às onze da noite. O amor de quando eu envio um "Estava pensando em você", a um amigo que eu sei, pode estar precisando. Um amor daqueles que elogia sinceramente, que nota detalhes, que diz o que pensa e sente. Sempre fui do tipo de pessoa que parece poder ler os outros, compreender o que sentem, ou como pensam. 
      Há uma semana atrás, tive a oportunidade de conhecer melhor um rapaz com quem eu não havia tido muito contato. Nós trabalhávamos juntos, porém, jamais havíamos conseguido sentar para conversar. Depois daquela sexta-feira de manhã, nunca mais serei o mesmo. A sensação que tive, foi a de encontrar uma alma irmã. Ele me falou dessa minha "empatia", e de como ela se manifestava. 
      Ele me disse para nunca deixar de viver esse amor que me faz o que, e quem, eu sou. Ele era um completo estranho, mas eu disse a ele coisas que meus amigos mais próximos não imaginam. Engraçada a vida. Eu andava meio desanimado com as reviravoltas do viver. Me sentia só, pois a distância e a mudança são coisas que abalam nossas estruturas. Mesmo as mais fortes. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Não fui eu.

Imagem: google
   

"A senhora tem que esperar na fila como todo mundo, espere sua vez!" -disse, em alto e áspero tom sem tirar os olhos da tela do computador, a moça atrás do balcão,  em resposta à senhora que dizia querer uma informação. Completou: "Que velha chata!". Todos nós, na fila, observamos a senhora, que em nenhum momento esteve interessada a fila, sair andando com dificuldade, dizendo para si mesma " Agora vou ter que procurar outro lugar para usar o banheiro."
   Não foi nossa a culpa. Não foi o que eu fiz nem, tão pouco, o que você fez. Não foi a nossa atitude de ficar observando a cena, nem a de criticar, nem a de tentar decidir quem estava certo/errado na situação assistida. Foi, pasme, o que deixamos de fazer. Nenhuma atitude negativa, nenhum erro causador de desastre se equipara ao nada, ao deixar de fazer. Sim. Isso mesmo: quando a gente deixa de fazer, abrimos o espaço para o que não deve ser feito. Quando a gente deixa de fazer, tiramos, sempre, a chance de alguém – e esse alguém pode, inclusive, ser a pessoa que reflete no espelho.
    É isso mesmo que estou dizendo: a gotinha que você leva para tentar apagar o incêndio

terça-feira, 1 de setembro de 2015

EU SOU DEUS: resenha

 

   Sempre fui pela verdade, sim: nua e crua. Mas, também, sempre achei que a verdade, a realidade, pode ser crua demais: a gente pode temperá-la, colori-la, melhorá-la e construí-la. Não é porque - de forma, ou circunstância, alguma- certa coisa é assim, ou assado, que significa que deva ser: podemos moldar, destruir, construir e reconstruir. Sempre tive essa sensação de poder de criação e, então (riminha de coração), tive um gracioso encontro com Pedro Chagas de Freitas. Um encontro, à distância, com anos luz a mais de graciosidade que encontros diários com conhecidos e colegas: um encontro de afinidade. Pedro Chagas já chegou me dizendo "É a teu cargo que estás a criar o mundo. Todos os dias nasces com essa força dentro de ti". Então, tive de aceitar o convite desse encontro maravilhoso.

   Como foi? Foi através da leitura do livro "Eu sou Deus", escrito, descrito e bendito por Chagas. Um