sábado, 15 de abril de 2017

Sou uma bagunça


"Porque são exatamente as rachaduras que me fazem quem eu sou..."

Deixei pra trás tudo o que eu tinha e fui
Fui para te acompanhar
Fui para não te deixar só
Fui porque o único lugar em que sou feliz é ao seu lado

Mas você nem viu, nem sentiu
Nem percebeu os sacrifícios que fiz para ir com você
No segundo em que algo brilhou, seu interesse por mim acabou
E então você partiu

Foi com a promessa de que não tinha ido
De que apesar da distância, não havia partido
Que as coisas sempre seriam como antes
Mas o tempo passou em questão de instantes

O que me sobrou senão as noites insones para me acalentar
Me afogando em lágrimas salinas de peso exorbitante
Carregando os cacos de mim por desertos estonteantes
Sem saber se um dia conseguiria me recuperar

Meus amigos eram as palavras
De poetas e anônimos
Marias e Antônios
Com uma dor profunda e as almas escalavradas

E a fria e cinzenta manhã de Janeiro
Outrora alegre, de sol e de luz
De ouro que brilha e seduz
Me parece devorar por inteiro

Sentimento torpe e cruel
Que esmaga e deturpa
Machuca e afunda na culpa
Que é veneno disfarçado de mel

E apenas quando os pedaços
Que estavam mais para cacos
Começavam a se juntar
Você resolve regressar

É o mesmo sorriso
O cheiro é igual
O toque irreal
Mas eu só posso oferecer prejuízo

A única coisa que não é a mesma, sou eu
Um dia humano, hoje miragem
Que resta se perdi até mesmo a linguagem
É dizer que apesar da dor, ainda sou teu

Teu veneno tem gosto de mel, e eu me afogo sorrindo todas as vezes que você volta...

-Melancolia